
Escuto, frequentemente, as pessoas afirmarem, sem pesar, que não existe agonia maior que estar apaixonado. No entanto, no eco de minhas próprias palavras tortas, questiono o movimento inverso: pode maior agonia que estar seca, vazia, frívola? Porque se a paixão queima e inebria; a ausência congela e racionaliza. Nos braços dos apaixonados corre o tempo; sussurra a novidade; metamorfoseia a vida. Ali, entre a promessa letárgica e o desejo efêmero, transita a alma, institui-se o ritmo, vislumbram-se novos caminhos... Já na suspensão do limbo, corre apenas o tempo da estagnação, das explicações medíocres e das falsas expectativas de amadurecimento... Então, meu caro? Pode maior sofrimento que não amar?